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Um bom plano de ação para a igreja local envolve o estabelecimento de objetivos e estratégias específicas

Partindo de uma visão clara e do estabelecimento dos valores, a igreja missional deverá montar seu plano de ação, ou seja, identificar seus objetivos principais (quais são os alvos?) bem como suas estratégias (como se pretende alcançar os objetivos específicos?).

 

Estes objetivos e estratégias visam mover a igreja do ponto onde se encontra (real) em direção ao ponto onde necessita estar (ideal). Faz-se necessário também o estabelecimento de estratégias e objetivos específicos de acordo com a visão dada por Deus. A partir desta visão, as igrejas e pastores poderão gerar um plano de ação com vistas à prática dessa mensagem de forma mais direcionada e específica.

Objetivos e estratégias têm relação direta com os recursos disponíveis, as oportunidades ao redor e as necessidades mais urgentes. É importante perguntar constantemente qual estratégia ajudaria mais a chegar ao objetivo proposto com os recursos e oportunidades que se tem à mão? As estratégias devem ser executadas de acordo com os objetivos planejados. Os obstáculos ao avanço missional devem ser antecipados; o terreno por vezes é árido e deve ser devidamente preparado.

Este plano não deve se tornar apenas um relatório de final de planejamento ou mais um documento de final de conferência. Sabe-se que os homens e mulheres desenvolvem grandes visões, mas têm muita dificuldade na implementação e realização prática destes projetos. É necessário o descobrimento de estratégias que se provem eficazes em diferentes circunstâncias e para diferentes atividades.

Além disso, o plano de ação não precisa utilizar termos técnicos e nem ser monótono. Somente os dados que têm grandes implicações estratégicas devem ser apresentados. É necessário se explicar quais são essas implicações e sugerir as melhores opções quanto ao futuro. A tomada de decisão deve ser confiada aos líderes e à orientação do Espírito. Uma das maneiras mais eficazes para a geração de um plano de ação é a utilização das 4 dimensões do crescimento integral de Orlando Costas, expostas anteriormente: numérica, orgânica, conceitual e diaconal. Cada uma dessas dimensões poderiam se converter em objetivos gerais e estratégias específicas.

Um outro exercício também muito eficiente no desenvolvimento de um plano de ação para a igreja local é aquele voltado para uma estratégia urbana de evangelização e implantação de igrejas:

  1. Quantas são e onde estão as igrejas evangélicas na cidade?
  2. Quais os bairros mais / menos alcançados com a presença evangélica? Para isso é importante fazermos a relação entre o número de igrejas e o número de habitantes do bairro, de acordo com os censos do governo.
  3. Quais segmentos da população mostram receptividade e estão se voltando para Cristo nas igrejas já existentes, em cada região da cidade?
  4. Quais segmentos da população e regiões da cidade estão mais vulneráveis às seitas e cultos não-evangélicos?
  5. Quais grupos urbanos necessitam ser alcançados com mais urgência?
  6. Quais são as principais áreas da cidade que necessitam da implantação de novas igrejas?

 

Pastores e líderes missionais devem lutar pela harmonia entre o estilo de vida dentro e fora da igreja, buscando simetria entre os momentos quando a igreja está reunida para adoração, oração e ordenanças com aqueles momentos em que a igreja está espalhada, vivendo e trabalhando num contexto social. De acordo com Emílio Castro, o pastor deverá sempre estar engajado “dentro” e “fora” da igreja. Dentro, ele deverá:

  1. Compreender o contexto em que vive sua membresia de tal maneira que possa ver como as circunstâncias da vida os condicionam e determinam;
  2. Esclarecer motivações e atitudes dos fiéis, retornando suas conclusões ao material que eles vão dando em suas conversas com ele;
  3. Explicar aos irmãos a ação libertadora de Deus na história e as possibilidades concretas que cada um deles tem de somar-se a um nível de ação possível;[1]


Castro trata do serviço pastoral para a comunidade. Fora da igreja, o pastor deverá:

  1. Solidarizar-se com a comunidade e abrir portas para o diálogo e a possibilidade do serviço pastoral;
  2. Interpretar em que direção se deve orientar a sociedade;
  3. Ser agente de reconciliação;
  4. Estar presente pastoralmente nos grupos de avanço da sociedade;
  5. Interceder permanentemente pela comunidade.[2]

Costas coloca isso de outra forma. Para ele, a igreja possui dois movimentos muito claros: centrípeto e centrífugo. O Centrípeto – de fora para dentro, se refere às atividades internas da igreja. O Centrífugo se refere ao movimento de dentro para fora implícito na Grande Comissão.[3]

No ministério do pastor missional, as funções de “dentro” e de “fora”, “centrípeto” e “centrífugo” tem um caráter complementar. Uma completa a outra. A ação pastoral de “dentro” - descobrimento dos dons, serviço uns aos outros”, educação cristã, conforto nas visitações e administração dos negócios e finanças – comissiona a envia a igreja para exercer as funções de “fora” – orar pela cidade e seus problemas como sacerdote, enxergar a realidade e buscar a transformação como profeta e buscar ações concretas e mensuráveis que ajudem a medir a presença do Reino de Deus na terra.


[1] Cuidado pastoral Del hombre, p. 102.

[2] Emilio CASTRO. Cuidado Pastoral de la Comunidad Secular. Citado em Orlando COSTAS, El Protestantismo en America Latina Hoy: Ensayos de Camino by, p. 102.

[3] P. 91.

 

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